Por Edilson Almeida
Bem sabemos que ser missionário não é privilégio de determinadas pessoas, mas a essência do cristão: “Anunciar o evangelho é necessidade que se me impõe”. (I Cor 9,16). Mas como ser Missionário de um novo Tempo?
Muitas vezes imagina-se que ser missionário é percorrer grandes distâncias, ir para outros continentes. Muitos inquietam diante da difícil viagem de sair de si, ir ao encontro do outro, ir ao encontro do “diferente”, ir ao encontro do marginalizado e sabemos que estes são os preferido de Jesus, mas não colocamos em prática esta ação.
Somos chamados a pregar o evangelho de Cristo “com renovado ardor missionário” não de qualquer maneira, mas que responda aos “novos anseios do povo”. Talvez seja a exigência do Evangelho que nos causa “medo”, pois, exige de mim, de você, de todos nós, uma abertura constante, pessoal e comunitária para responder aos desafios de hoje. A ação de ser Missionário exige a missão da fidelidade ao “envio” de Jesus: “Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio” (Jo 20,21). Quantos perdem o entusiasmo diante da missão, no entanto deveriam se alegrar com o anúncio da boa-nova libertadora.
Como evangelizador Jesus anuncia em primeiro lugar um reino, isto é, o Reino de Deus, de tal forma que em comparação este Reino tudo o mais passa a ser o resto. “Em primeiro lugar busquem o Reino de Deus e a sua justiça, e Deus dará a vocês em acréscimo, todas as outras coisas” (Mt 6,33). Jesus mostra que somente o Reino de Deus é absoluto. No entanto Ele parece ser um pouco radical em seu anuncio que consegue mexer com a posição das autoridades (Cf. Mc 11,28). No anúncio do Reino, Jesus toma uma postura que não condiz com a mentalidade da sociedade de sua época. Anuncia a libertação de tudo aquilo que oprime o ser humano (Cf. Mc 2,10).
Ser missionário é colocar o seu dom a serviço deste Reino de libertação, é assumir o novo estilo de missão: não levar, mas descobrir. Não só dar, mas receber. Não conquistar, mas partilhar e buscar juntos. Não ser mestre, mas aprendiz da verdade. A missão nos permite criar novos laços, novas relações, um novo jeito de olhar a vida, um novo jeito de ser Igreja.
Ser Igreja é transmitir a Boa Notícia de Jesus sobretudo pelo testemunho. É evangelizar, é assumir um compromisso com a comunidade que vive e levá-la à sua vocação de ser missionária. Então, acredito que agora ficou “claro”. Não somente sou Missionário quando vou anunciar “fora” de onde vivo, mas o desafio está ser missionário em minha casa, no trabalho e na comunidade em que vivo.
Eis o desafio do novo tempo: precisamos assumir o compromisso de sermos cristãos, vivendo e transmitindo a boa-nova da paz, da justiça, do amor, do perdão, da fraternidade, da acolhida.
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
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