quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Mensagem Missionária

Por Pe. Carlos Enrique
Estimados leitores do jornal Comunicando, primeiramente gostaria de parabenizar a equipe que vem mantendo este informativo como um instrumento precioso de comunicação para a Paróquia do Menino Jesus.
Já estou há quase dois anos aqui no Amazonas , tem sido uma experiência sempre surpreendente, o ritmo da natureza suas transformações e sua força ditam a conduta da vida das comunidades também na sua vivência religiosa. Depois da grande enchente a maior desde 1953 ,as comunidades ribeirinhas e mesmo a sede do município se ocuparam em reconstruir o que foi danificado nas casas , ruas ,prédios públicos ,etc. Entre as igrejas da cidade a única a não ser atingida foi a Igreja católica, sendo minha casa nos tempos da enchente. A pastoral ficou paralisada , as Santas Missões previstas para o mês de agosto não puderam ser realizadas, experimentamos um desânimo das lideranças. Não bastasse essa situação veio o tempo da seca, os rios baixaram assustadoramente, o lago do Anamã praticamente secou ficando somente o leito barrento do rio que forma o lago, toneladas de peixes mortos e a impossibilidade de usar a água contaminada penalizaram bastante as comunidades.
Nestes últimos dias o nível da água começou a subir, as chuvas já começaram anunciando a época do inverno amazônico ,ainda não temos previsão do que nos espera, todos rezam para que outra grande cheia não se repita.Na paróquia os preparativos para as Santas Missões marcadas para janeiro-fevereiro de 2010 ocupam nossa atenção, devido à seca a comunicação com as comunidades se torna muito difícil, mas conseguimos organizar os núcleos.
Esse trabalho das missões é nossa grande esperança de reanimar muitas comunidades que estão dispersas , desorganizadas e indiferente a pastoral e a evangelização.Tudo é muito diferente da realidade do sul-sudeste, é necessário realmente uma atitude missionária de escuta e mergulho na cultura local, atitudes essas nem sempre fáceis de serem vividas.Quem está de fora percebe melhor os avanços da comunidade, a mim me parece muitas vez que pouco foi atingido.
Ainda não temos o nosso próprio barco o que dificulta nosso trabalho e nos expõe a muitos riscos, visto que geralmente o que se consegue não tem as condições do que se poderia esperar para uma navegação segura.A comunidade sozinha não tem condições de comprar um barco adequado, estamos esperando o resultado de promessas de ajuda que tardam a chegar.
Estou feliz aqui, o povo tem me ensinado muito, especialmente nos momentos da adversidade, não encontrei quem desesperasse , pelo contrário há uma confiança e resignação diante das intempéries do tempo ,atribuídas ao desígnio de Deus e por outro lado muita criatividade para contornar as adversidades.È um povo alegre , gosta de dançar é muito festeiro, demora um pouco mas sabe ser muito acolhedor ,um povo de uma beleza simples e natural.

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