Por Renato Marques
É quaresma! Tempo sagrado de estadia no deserto, no monte, na noite. Tempo necessário para percorrer um caminho, para poder chegar à liberdade plena de todos os nossos pecados e faltas. Muitos param no tempo sem compreender que não se pode aproximar de Deus sem passar um longo “período de quarentena”, para contemplar o rosto luminoso de Deus.
Jesus é conduzido ao deserto e passa quarenta dias. É bom ver que o Espirito o levou para ser tentado, o tempo favorável chegou para que Ele saísse vitorioso da tentação e iniciasse o seu ministério de anúncio da boa nova. A quaresma é também uma preparação; são quarenta dias de preparação, de conversão e penitência, da “passagem do pecado para a vida”, que se revela no acontecimento Pascal.
Quaresma é tempo de conversão! Tempo de mudar de vida. Muito se fala de conversão e pouco se vive, mas a quaresma é tempo oportuno para entrar em um processo verdadeiro de conversão, que não acontece somente em um dia, uma semana ou quarenta dias, mas deve acontecer constantemente.
Quaresma é tempo de penitência e de purificação. Hoje não deve ser entendida como vemos em alguns filmes ou escutamos algumas pessoas falarem, como sinônimo de sofrimento do próprio corpo ou dos outros, mas de algo que nos aproxima de Deus e dos irmãos. Eis o tempo favorável! Fazemos jejuns, penitencias e orações, mas anos passam e novamente voltamos à estaca zero. A exemplo de Jesus é preciso levar a sério a proposta da Sagrada Escritura, não ficar somente em busca de milagres e falsas promessas de prosperidade.
É tempo de amar e perdoar, é um tempo de graça, um sacramento; somos chamados a viver a nossa purificação. É preciso nos preparar para irmos ao encontro de Deus. Passemos, pois pelo deserto de nossa vida, na confiança de que Deus está conosco, agindo pelo seu Espirito de amor. É no deserto que devemos experimentar a nossa fragilidade humana e sentir tentados por tantas realidades que nos afastam de Deus. Não podemos deixar ser vencidos pelo prazer, pelo ter e pelo poder. É preciso enfrentar o deserto da vida e defrontar com o diabo para sairmos vitoriosos, assim como Jesus. Só assim podemos anunciar a boa nova e nos tornarmos mais sensíveis às realidades em que estamos inseridos.
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